Eu que jamais esperei um dia me abrir para você, aqui estou procurando minha antiga agenda telefônica para ouvir a tua voz. Eu que jamais esperei um dia me declarar, aqui estou a escrever este poema em tua homenagem – falando de amores, encontros, sonhos e desilusões... Eu que jamais esperei me sentir, por baixo, fraca por não controlar meus sentimentos, deixei-me consumir e resolvi te procurar – e arriscar. Eu que jamais esperei não ouvir a voz da sabedoria, que por tantas vezes segui os conselhos da minha, da nossa mãe, agora esqueço tudo o que ela me disse e sigo com a imensa vontade beijar teus lábios. Eu que jamais esperei parar por um momento e viver só pra ti, estou aqui de casamento marcado, malas prontas e uma vontade súbita de largar tudo e correr ao teu encontro. No céu, na terra ou no mar. Eu pra ti.quinta-feira, 16 de abril de 2009
Eu pra ti
Eu que jamais esperei um dia me abrir para você, aqui estou procurando minha antiga agenda telefônica para ouvir a tua voz. Eu que jamais esperei um dia me declarar, aqui estou a escrever este poema em tua homenagem – falando de amores, encontros, sonhos e desilusões... Eu que jamais esperei me sentir, por baixo, fraca por não controlar meus sentimentos, deixei-me consumir e resolvi te procurar – e arriscar. Eu que jamais esperei não ouvir a voz da sabedoria, que por tantas vezes segui os conselhos da minha, da nossa mãe, agora esqueço tudo o que ela me disse e sigo com a imensa vontade beijar teus lábios. Eu que jamais esperei parar por um momento e viver só pra ti, estou aqui de casamento marcado, malas prontas e uma vontade súbita de largar tudo e correr ao teu encontro. No céu, na terra ou no mar. Eu pra ti.terça-feira, 14 de abril de 2009
"Sou do Mundo, sou Minas Gerais"

Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo só se conheceram depois de cerca de dez anos de suas primeiras experiências. O Pato Fu não foi a primeira banda de nenhum deles. “O gostar da música é algo que acontece desde criancinha. Se vai virar algo mais sério depois, depende de empenho, sorte e talento, claro!”, analisa Fernanda. No início, a atividade musical era apenas um hobby, pois cada integrante possuía outra ocupação e a maioria dos eventos de que a banda participava tinha relação com universidades, onde se encontrava seu maior público em Minas Gerais. Em 96, já com três discos lançados, tudo mudou. “Começamos a ter que dedicar mais tempo ao grupo e tivemos que optar se daríamos prioridade ao Pato Fu. Felizmente foi uma boa escolha”, completa Takai.
O sucesso abriu estradas não só do Brasil, mas de outros países para o grupo. Mesmo assim, eles afirmam que continuam tendo Minas como sua casa — somente o tecladista Lulu Camargo não mora em Belo Horizonte, pois é de São Paulo. Xande se divide entre BH, a capital paulista e uma cidade do interior do Tocantins. Os demais residem na capital mineira. Por onde passa, o grupo deixa claro que já não é necessário ter que se mudar para o eixo Rio-SP para fazer carreira. “Moramos num pólo cultural grande que ainda preserva uma boa qualidade de vida”, se orgulham os músicos.
Mas, felizmente, a vida não é só trabalho. Nos momentos de folga, o grupo prefere ficar em casa e descansar, devido ao cansaço das viagens. Segundo Fernanda, eles optam por alugar filmes, escolher bons livros e ficar mais tempo com a família. “Vez por outra é bom ir ao teatro e assistir a shows de artistas dos quais gostamos, de preferência num local confortável e com horários pontuais”, completa.
O Pato Fu está em turnê com oitavo CD “Toda Cura Para Todo Mal” há quase um ano e devem viajar com esse show até o início de 2007, quando então será lançado o novo disco. Este mês chega às lojas o terceiro DVD da banda, com todos os clipes do CD mais recente, making off, cenas de turnê e farto material bônus para os fãs.
Cidades históricas
Destino indispensável dos turistas que visitam nossas Minas Gerais, as cidades históricas remetem àqueles que as visitam uma época mágica, o Ciclo do Ouro. Andando pelas ruas estreitas, passando por casarões, igrejas e museus, certamente, o turista terá a impressão de ter voltado no tempo. Esta também é a escolha dos integrantes da banda quando recebem a visita de algum amigo ou parente. “Sempre levo minhas visitas para passar uns dias em Ouro Preto ou Mariana. O Ricardo, nosso baixista, gosta muito de Tiradentes. E recentemente, estivemos em Araxá, que é um lugar bem bacana — o Grande Hotel é uma atração por si só”, elogia Fernanda.
(*) Central de Produção Jornalística do Centro Universitário Newton Paiva
OBS: Primeira matéria que produzi para o jornal Turismo de Minas. Esta foi publicada em setembro de 2006, quando eu cursava apenas o 4º período de faculdade.
E aí, comecei com o pé direito?
terça-feira, 31 de março de 2009
Arte profissional
Desde a criação do Fazendo Arte, há três anos, ainda no domínio zip.net, poucas foram as vezes que parei para falar do lado profissional. Em menor número ainda foram as publicações de textos inteiramente profissionais.
Hoje venho para informar que o Fazendo Arte, no domínio blogspot.com, no ar desde dezembro de 2008, ganha agora uma nova galeria. Arte profissional chega para dar espaço ao que o próprio nome já diz. Se antes você, leitor do blog, podia ler textos que falassem de minha vida pessoal, de assuntos fictícios ou temas que, simplesmente, não tem explicação, agora você também compartilhará da produção textual desta que vos escreve.
Então fechou. E para que não haja dúvidas, esclarecemos a seguir os textos que, possivelmente, se enquadram dentro de cada categoria do Fazendo Arte.
Aos desavisados avisamos que a dona deste blog não é nenhum ser famoso. Mais do que isso, não considera que o mundo gira em torno de seu umbigo e por isso, não usa do espaço para divulgar os acontecimentos de sua vida. Contudo, venhamos e convenhamos que há determinadas ocasiões que pedem destaque e um espaço (por menor que seja) no mundo virtual. Assim, nesta categoria, encontramos textos alusivos aos acontecimentos mais pertinentes no que tange à vida de Mara Bianchetti. Direta. Ou. Indiretamente. Mente.
O conceito de algo que vá além da arte é muito subjetivo – até porque, até mesmo esta torna-se subjetiva em alguns momentos. Além arte reúne aqueles textos que estão além da arte que o blog representa. Textos fictícios, meramente ilustrativos e porquê não, algo real mas com os nomes de seus personagens substituídos. Além arte tem um pouco de mim e muito de você. Muito.
Quando criamos esta categoria ficamos no impasse por seu nome: louca arte ou arte louca? Pois bem, como sabem, optamos pela primeira opção. Louca Arte é formada por textos loucos. Mas o que seriam textos loucos? Seriam aqueles sem muita explicação, sem muito sentido, nutridos de um eu lírico especial. Como a própria categoria, eu diria... Aqui a licença poética permite a elaboração de textos que ninguém entende. Entendeu?
Esta categoria acaba de ser inaugurada no Fazendo Arte, afinal, o que seria de um jornalista sem suas obras, quando o assunto em pauta é arte? Arte profissional chega para apresentar textos assinados por Mara Bianchetti, afinal, escrever é uma arte... Os assuntos poderão ser os mais variados: turismo, cultura, gastronomia, política ou quem sabe até economia. E que fique claro: não estranhem se encontrarem em maior quantidade, assuntos sobre turismo em Minas Gerais. Se vou usar do espaço para a publicação de alguns trabalhos que tenho feito em jornais, revistas, assessorias ou sites, estes acabam por traduzir a realidade do trabalho que faço nestes veículos. Ok? Então ao trabalho!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Crime perfeito

Suzana estava prestes a descobrir.
Por mais que Johnatan tentasse disfarçar, não dava mais para esconder sua participação naquele crime.
E mesmo que ele não quisesse acreditar, aquilo que havia começado como uma ardente paixão não terminara bem.
– Nega agora! Fala que você não teve nenhuma participação naquela noite!
– Suzana, quantas vezes vou ter que repetir que fiz tudo por amor?
– Amor? Isso é no máximo uma paixão. Amor não destrói e essa sua paixão doentia só provocou o mal.
– Não fale assim, querida! Vamos voltar a falar de amor... eu não queria tudo fosse assim.
[lágrimas, muitas lágrimas de Suzana]
– Se não quisesse não teria feito. Por que logo na primeira suspeita não disse que era mesmo você? Por que me deixou sofrer, chorar, temer? Acreditar que não tinha vínculo algum com isso?
– Porque ela não me permitiu! – gritou. Ela! Ouviu bem? Ela!!!
Suzana em estado de choque não podia acreditar que sua amiga, sua melhor amiga teria sido cúmplice de sua própria morte... cúmplice daquele crime que havia transformado sua vida em pesadelo.
– Ela não minha cúmplice, ela me forçou. Ela quem arquitetava tudo, me passava os dados me mandava te seguir.
– Ah Jonahtan, quantas e quantas noites de sono eu perdi por saber que você estava por perto. Quantas e quantas lágrimas eu derramei por desconfiar de que o que eu sentia por você nunca valeu nada!
[silêncio...]
– E o pior é pensar que ela estava por trás de tudo! Nos bastidores e, ao mesmo tempo, no palco. Sempre me acolhendo, me consolando, me protegendo... como eu fui tola!
– Sei que você nunca vai acreditar, mas eu não quis fazer nada disso. Ela também não queria te prejudicar. Era só uma brincadeira.
– Brincadeira? Vocês estavam brincando com a minha vida!?
– Não! Com seus sentimentos...
– Ah, como isto me conforta!
– Mas sei que brincamos da forma errada.
– Tão errada que ela se foi. Se foi no meu lugar.
– Não, não. Ninguém ia morrer. Ia ser tudo perfeito. Viveríamos nós três.
– Hahaha! Não existe crime perfeito!
– Mas a brincadeira vai continuar...
sexta-feira, 13 de março de 2009
Notas rápidas (rápidas?)
Pois bem, como uma boa jornalista que agora sou, vou ministrar um rápido mini curso de algumas linhas de leitura sobre PAUTA. Na falta de pautas para uma edição de jornal, revista, programa, etc, etc, etc, fazemos o quê? O quê? Você aí... é, você mesmo que está sentado nessa cadeira horroroosa, de frente para o computador (que está velho, hein? Nuhh!), reponda-me rapidamente. Não sabe? Então outra pessoa... você! Você que está com um notebook no colo (posa de rico, mas dividiu a compra em 365x COM JUROS no cartão). Não sabe também. PeloamordeDeus, gente! Na falta de uma boa pauta, a gente CRIA uma boa pauta!!!! (aê, palmas para mim, por favor!).
Passado esse momento #nadaaver que eu acabei de ter, vamos ao que interessa. Dei esse mini curso sobre pauta para vocês, só para explicar que, na falta de das pautas (ou da coragem de trabalhar com elas) o que eu farei? Reunirei todas em elas em um texto só! Que tal? Ótimo, né? (Não gostou, ok, tudo bem, eu espero você clicar no ‘xizinho’ lá em cima, no canto da tela. Tchau!).
Então vamos às notas!
“...paz, CARNAVAL, futebol... não mata, não engorda e não faz mal...”
Tanto fiz e falei sobre as expectativas da realização de um grande sonho e acabei por não publicar nada aqui. Mas, resumidamente, eu posso falar que vale a pena, gente! Vale muiiiito a pena! O Carnaval de Salvador é fantástico sim, tem muita gente linda sim (e muita gente feia também, PQP!!!) e muita, muita, muita música baiana! Ah você não gosta? Prefere trance? (bleh) Pode ir porque toca lá também.. e em cima do trio. Sertanejo? Ihh, bomba lá, meu filho! Prefere p-a-g-o-d-e? Vai que tem também. Rock? É, aí tem, mas em menor proporção, tá? Mas vez ou outra alguma banda convida umas bandas pops como Jota Quest, Biquini Cavadão, etc pra subir no trio. É ainda mais cult? (cof! Cof! Cof!). Então vai e sai no bloco do JAMMIL porque lá até Caetano Veloso tem!
Ao total foram sete dias de muita felicidade, alegria e diversão. Eu e meu amor aproveitamos cada minuto ao lado de pessoas muito especiais... fãs do JAMMIL, do Asa, do Chiclete, do Psirico (os cordeiros, pow!). Deu ainda para pegar uma praiazinha, gastar um pouquinho de dinheiro, ganhar presentes, comer MUITOOOOO ACARAJÉ (hum...) e fazer trancinhas no cabelo e novas amizades (Lana foi uma pessoa muito especial que conhecemos por lá... nossa próxima parada será em NATAL!!!).
Pena que teve que acabar... cada momento foi especial. Por incrível que pareça, posso dizer que foi a melhor maneira de comemorar minha formatura (calma que lá vem mais coisa sobre esta parte). E que venha o próximo Carnaval em Salvador... (calma mãe, calma pai! Só daqui uns anos! Heheh).
“Prometo exercer a minha profissão em benefício do interesse público. Defender a liberdade de expressão. Respeitar o código de ética, zelar pelas instituições democráticas do meu país. ASSIM PROMETO”!
E não é que agora sou jornalista messssmo, gente? Formei! É, formei!!! Com direito a Colação de Grau, retaurante, missa, festa e um belo dum evento (piada interna – kkk): o meu churrasco!!!
Para os desavisados, desnaturados ou não convidados, a formatura ocorreu a partir do dia 04 de março. Um sonho!!! A Colação de Grau foi um momento mágico! Realmente é uma coisa de arrepiar... chorei d++++ (tá Mara, agora conta uma novidade). Teve família, amigos, colegas de sala... pura emoção. Papai e mamãe (os responsáveis pela realização do sonho); tia Eva e tia Márcia; tio Paulinho e tio José Carlos; Vó Aparecida; Cris e Juinho. Bia, Gabi, Vilma e tia Ana. Ana e Tiago. Teve também a Maísa formando junto comigo e a família dela.
Na sexta, dia 06 foi a missa. Com todo o perdão de Deus, um FIASCO! Que que foi aquilo, alguém me explica? O padre num falava nada com nada e nada com concordância verbal. O cerimonial deixou a desejar, a igreja era longe e pra completar, pularam a minha leitura... kkkk bem feito! (Pode falar você pensou exatamente isso). Depois da missa, pelo menos, fomos para a festa da Simone. Esta sim foi show!!! Dançamos, bebemos e curtimos até altas horas!
E no sábado foi o tão expero dia do meu churrasco. Muita alegria, diversão e felicidade. Tudo reunido ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Posso dizer, com toda convicção, que foi a melhor maneira que encontrei de fechar com chave de ouro esse ciclo da minha vida. Os amigos, os verdadeiros amigos, estavam todos presentes!!! Tinha colegas de trabalho e tinha família também. Mas o melhor era que tinha papai e mamãe!
Pena que teve que acabar... cada momento foi especial. Por incrível que pareça, posso dizer que foi a melhor maneira de comemorar minha formatura (a repetição foi intensional). E que venha a próxima formatura... (calma mãe, calma pai! Só daqui uns anos! Heheh).
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Acordes de um fevereiro feliz
“Já pintou verão, calor no coração, a festa vai começar... Salvador se agita, numa só alegria, eternos Dodô e Osmar... Na avenida Sete, da paz eu sou tiete, na Barra o Farol a brilhar, carnaval na Bahia, oitava maravilha, nunca irei te deixar, meu amor... Eu vou, atrás do trio elétrico vou, dançar ao negro toque do agogô, curtindo minha baianidade nagô... Eu queria, que essa fantasia fosse eterna, quem sabe um dia a Paz vence a guerra, e viver será só festejar...”
“Se tem Chiclete eu to lá, se tem Chiclete eu to lá, se tem Chiclete eu to lá...”
“We are carnaval, we are folia, we are the world of carnaval, we are Bahia...”
“Tem Babado lá, Chiclete aê, Ivete lá, Oludum no Pelô, Dodô e Osmar, Timbalada no gueto...”
“Extravasa! Libera e joga tudo pro alto [em Salvador]...”
“A pele toda arrepia, solta o cordão da alegria, não vou quietar o meu facho, me encaixo, me acho no seu carrossel... No corredor da folia, acho que hoje é o dia, não venha de salto alto, descola o pé do asfalto, nosso limite é o céu...”
“Já que Minas não tem mar... [eu vou pra Bahia]...”
“Te espero no farol, pra ver o sol se por, fazer denguinho, fazer declaração de amor...”
“Quando o meu Eva passar, a avenida te receber, meu fevereiro vai ser tão lindo, só eu e você... Valeu a pena esperar, um ano inteiro só pra te ter, nosso encontro foi tão bonito, só eu e você...”
[...]
“Agora que o Verão passou, agora que céu já mudou de cor, agora que o Carnaval terminou, quando eu vou te ver amor? Foi bom te conhecer, no Balada encontrar você, estou contando os dias pra te ver... Boa viagem, te vejo no ano que vem, boa viagem, vê se pensa em mim também, boa viagem, me liga sempre que puder, vou te esperar ano que vem, se Deus quiser”
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
M I M
Se um dia eu tivesse de escrever
Escreveria sobre ti
Te faria sentir
Sem mentir o que sente por mim
Por me fazer sofrer, doer e correr
É que corri e longe fui viver
Vivo daqui e dali
Dalila é quem te faz feliz
Felicidade que não me pertence
Naquela trance que fui te ver
Ver naqueles olhos, naquela voz
Vós que aqui não mais estais
Estais longe de mim, como quem não me pertence
Sem me pertencer. Sem te querer
Querendo foi que errei
Mas hei de ser feliz
Lindo. Louro
Ouro. Fique com ele pra você
O quê? Não
Vão viver longe de mim
Enfim
Sim
F I M
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A arte de falar
Por falar sozinho é que ninguém o escutava. Com motivo ou sem motivo, sempre acabava por falar demais. Falava do que queria, do que amava, do que temia, do que almejava. Falava desde pequeno, em coro, em choro. Falava. Falava do pai, pro pai. Da mãe, pra mãe. De você. Pra você. Falava, não pensava. Falava sem dizer. Falava ao dizer. Falava o quê? O que não queria, o que não sentia, o que não podia. Falava sem querer. Por querer. Falava por falar. Em cadeia, sem parar. Falava. Falava. Falava. Não calava. Falava na aula, na escola, em casa, n
o dever. Falava sempre, contente, feliz, infeliz. Falava por um triz. Falava de si, de ti, de mim. Falava. De nós, por vós, com a voz. De tu. Tudo. Falava e não parava. Escrever? Pra quê? Falava mais uma vez. Talvez. Falava. Falava de Fa. De La. E de Va. Falava de vez. Falava uma, duas, três. E outra vez. Na sua vez. E com avidez. Falava sobre isso, aquilo, etc e tal. No Natal. Sobre funeral, cinema e carnaval. Num recital. Falava como música, poema, conto e tudo mais. Falava. Falav. Fala. Fal. Fa. F. Um dia ficou mudo.segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
A tal da profissão

Mas a realidade, enfim, começava a aparecer. O orgulho continuava a fazer parte de tudo isso. A vontade própria também. E o sonho? Ah este, sem dúvidas, reinava ainda mais. O objetivo? O objetivo foi pluralizado. Transformou-se em o-b-j-e-t-i-v-o-s, no plural mesmo! Mas a realidade, enfim, começava a aparecer.
Começava a aparecer porque já não bastava somente a vontade própria, o orgulho, o sonho e os objetivos. Era preciso mais. Muito mais. Era preciso um quê de profissionalismo (espera aí, mas isto ela sempre teve!). Profissionalismo de quem agora, realmente, era um profissional. Profissional não só na produção, apuração e o ‘diabo a quatro’. Profissional na hora de lidar com o chefe, com o subordinado e com quem mais fosse preciso. E olha que havia quem dissesse que ela jamais teria problemas com a tal da profissão. Mas é que a realidade, enfim, começava a aparecer.
E já que era assim, ela também precisava mudar. Renovar atitudes. Repensar conceitos. Restabelecer objetivos. Sonhar mais (ou menos, vai saber!). Ter vontade – simplesmente, vontade.
Ela que fizera tantos planos. Que sonhara tanto. Que tivera tanto orgulho de tudo que sempre... agora estava ali, desamparada, triste, temerosa, desiludida. (espera aí, isso não pode ficar assim!) E não vai ficar. Porque maior que os obstáculos são as oportunidades... E as oportunidades quem fazemos somos nós! Tenha expectativa sim. Sonhe sim. Tenha vontade própria sim. Restabeleça seus objetivos. E orgulhe-se! Já. Agora. E outra vez!
A realidade enfim, começava a aparecer. E daí? Daí que depende de você fazer tudo acontecer. E fazer valer todos aqueles sonhos. E todas aquelas vontades. E todos aqueles objetivos. E toda essa realidade. Por que não? Vamos! Já. Agora. E outra vez!
Se a realidade apareceu, aparecem agora também os últimos dias do mês de janeiro. Fevereiro vem aí. O mês do carnaval, da alegria, da felicidade. Você não tem uma proposta para si mesma? Cumpra-a! Aguarde. Aja! Já. Agora. E outra vez!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Encontro ausente
Ao total foram três anos de encontros e desencontros. Todos os dias, na mesma hora lá estava ela, naquele local. Já conhecia o porteiro da Igreja, o guardião que passeava com os cães da vizinhança, o andarilho que todos temiam. Independente do momento, das pessoas que por ali passavam, lá estava ela. A espera de alguém. Alguém que não viria.
Certas noites, fora porque quis, por pura e inocente esperança. Nenhum recado, nenhum sinal e lá estava Sabrina. Debaixo da chuva ou do sol. Com o céu estrelado. Frio ou calor. Era chegar, acomodar-se naquele banquinho e esperar por um momento que não chegaria nunca. O ritual prosseguia. Ela voltava para seu lar, sua família e nada.
Em outras ocasiões, porém, Sabrina ia por um motivo a mais. Pedro mandava mensagens, mandava sinais. Às vezes subliminares, eu sei. Mas mandava. Sabrina comparecia. Voltava ao local do crime. Revia imagens, sentia arrepios e, o máximo de seu amado que encontrava era um olhar. Olhar discreto e ao mesmo tempo intenso. Olhar intrínseco. Olhar único. Olhar ausente, inexistente. Nada de olhar.
E assim Sabrina seguiu sua vida por três anos. Seu marido, seus filhos, amigos e quem mais a tivesse em convívio sabia da história, indagava a jovem senhora e ficava sem entender. A própria Sabrina não entendia. A própria Sabrina condenava e prometia não mais se deixar envolver...
Até a próxima noite, o próximo contato. A próxima nostalgia. Era sentir aquele aperto no peito e lá estava ela. A espera de Pedro. A espera de seu amado. Na volta para casa, a mesma angústia, a mesma vontade de recomeçar. Sabrina sabia que, na vida, sempre há um recomeço, sempre há uma nova chance.
Naquela noite, naquele dia, resolveu recomeçar. E recomeçou. Foi até a praça e resolveu entrar no hospital. Sentou-se ao lado de Pedro. Passou a mão pelo corpo de seu amado, deixou mais uma lágrima cair e sussurrou: “descanse em paz, meu amigo”. Logo em seguida levantou-se e autorizou ao médico a desligar os aparelhos que mantinham seu velho cão em coma induzido.
