“Ele só precisa aprender a viver”, dizia. Mas não adiantou. Melhor que ela, Cibele bem definiu: “Somente assim para ele aprender. Ele plantou e colheu”.
Talvez isso tudo fosse real, talvez não.



Ao ler uma um antigo e-mail, recordei-me de quando recebi aquela mensagem. Não tínhamos (e nem temos) tanto contato, você mal sabe quem eu sou, e muito menos tem obrigação de me agradar. No conteúdo daquela mensagem desabafos, elogios, críticas e sinceridade. Tudo acerca de um sentimento superficial.
Agora me pego aqui, refletindo e concluindo o quanto a vida é sábia e nos apresenta circunstâncias em que conhecemos verdadeiramente as pessoas. É quando menos esperamos que descobrimos quando se trata de um sentimento superficial e quando a admiração, o carinho, o companheirismo, o olhar e o ombro amigo são verdadeiros.
É quando mais precisamos que alguém vira as costas; é quando esperamos por aquele sorriso e por um abraço apertado que outro alguém diz não ter tempo de nos ajudar. É quando queremos sinceridade que o outro se aproveita da situação e monta em nosso sucesso. É quando achamos que quando lá vem mais uma decepção, aquela pessoa (justo ela) demonstra maior compaixão e paixão por nós. É sentimento. É sentimento superficial.
Lembro-me da circunstância em que me enviou o tal e-mail. Eu me senti o máximo, fiquei orgulhosa de mim. Por um momento, um sentimento superficial tomou conta do meu ser. Mas logo em seguida, você, mesmo sem saber, também me puxou a orelha e disse: “não se sinta lisonjeada”. O que eu senti naquele momento transformou-se então em uma gama de sentimentos que nem eu sei explicar. Mas garanto: superficiais não eram.
E de sentimentos são feitas nossas vidas, são feitas nossas existências. Sentimentos de pai para filho, de irmão para irmã, de filha para mãe, de namorado para namorada, de fã para ídolo, de amigo para amigo e muito mais. E nesse meio há o sentimento superficial. Sentimento de pai para filho, de irmão para irmã, de filha para mãe, de namorado para namorada, de fã para ídolo, de amigo para amigo e muito mais. Repito: superficial.
E se toda aquela turbulência passou, digo e reafirmo: é porque é tudo muito superficial. Se especialistas, estudiosos, médicos e afins preocupam-se com o relacionamento on line que se transforma, cada vez mais, em algo superficial, peço licença para dizer-lhes que não é o meio de propagação que torna o sentimento, a comunicação, o relacionamento e o carinho superficiais.
Um sentimento superficial se torna superficial porque em sua essência já se fazia superficial.
Eu que jamais esperei um dia me abrir para você, aqui estou procurando minha antiga agenda telefônica para ouvir a tua voz. Eu que jamais esperei um dia me declarar, aqui estou a escrever este poema em tua homenagem – falando de amores, encontros, sonhos e desilusões... Eu que jamais esperei me sentir, por baixo, fraca por não controlar meus sentimentos, deixei-me consumir e resolvi te procurar – e arriscar. Eu que jamais esperei não ouvir a voz da sabedoria, que por tantas vezes segui os conselhos da minha, da nossa mãe, agora esqueço tudo o que ela me disse e sigo com a imensa vontade beijar teus lábios. Eu que jamais esperei parar por um momento e viver só pra ti, estou aqui de casamento marcado, malas prontas e uma vontade súbita de largar tudo e correr ao teu encontro. No céu, na terra ou no mar. Eu pra ti.
o dever. Falava sempre, contente, feliz, infeliz. Falava por um triz. Falava de si, de ti, de mim. Falava. De nós, por vós, com a voz. De tu. Tudo. Falava e não parava. Escrever? Pra quê? Falava mais uma vez. Talvez. Falava. Falava de Fa. De La. E de Va. Falava de vez. Falava uma, duas, três. E outra vez. Na sua vez. E com avidez. Falava sobre isso, aquilo, etc e tal. No Natal. Sobre funeral, cinema e carnaval. Num recital. Falava como música, poema, conto e tudo mais. Falava. Falav. Fala. Fal. Fa. F. Um dia ficou mudo.