quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E a primeira vez aconteceu

Essa história de que espírita que é espírita não tem medo da morte é pura bobagem. Ou eu não sou espírita. Não falo sobre medo da minha morte, pois esta, ainda nem consigo cogitar (grande esperteza, pois para morrer, basta estar vivo). Falo mesmo da morte daqueles que estão ao nosso redor, para com os quais nutrimos grandes sentimentos... falo de pais, avós, amigos e tudo mais.

Na última semana, tive a experiência de uma perda próxima, que mexeu muito comigo. Não que eu nunca tivesse perdido alguém assim, mas é que eu nunca havia tido a oportunidade de vivenciar o momento propriamente dito. Já perdi parentes, amigos e tantos outros entes queridos. Chorei, senti, me informei, mas nunca havia ido, por exemplo, a um velório – imagine você. Sempre aparecia algum empecilho. Era corpo que atrasava 
demais e eu não podia esperar, era velório e enterro em cidades diferentes da que eu residia, era chefe que marcava reunião importantíssima justamente na hora ‘h’. Sorte a minha talvez... sempre fui muito sentimental e sempre achei que estas ocasiões não me fariam bem.

Pois nos últimos dias tive uma perda de grande significado e eis que estive em meu primeiro velório. Uma tristeza sem fim. Não há palavras que descrevam o sentimento, a sensação, a dor... não há! Estava lá muito mais para dar forças e assim o fiz. Tentei ser o mais firme possível para ajudar uma amiga, que tanto precisava de mim. Acho que, dentro das possibilidades, consegui. Mas doeu, e como doeu.

A ficha foi caindo, fui entendendo e percebendo como será ainda mais difícil quando acontecer diretamente comigo... Não quero nem imaginar. Sei que é preciso, que faz parte do ciclo natural da vida, mas não. Eu não entendo, eu não aceito e tenho certeza que, apesar de espírita e de acreditar em reencarnação, vai doer ainda mais quando o velório, o enterro ou o que for estiver diretamente ligado a mim – e a minha família.
A tristeza segue... o medo também... enquanto isso, sigo dando forças pra minha amiga e contemplando um belo poema que ela recebeu. Não sei se é mesmo de Santo Agostinho. Mas fica a mensagem:


Do outro lado do Caminho


A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente.
A vida continua linda e bela
como sempre foi.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Para lavar alma e coração

A chuva leva dias, leva sol, leva ruas, leva sujeira. A chuva lava dias, lava sol, lava ruas, lava sujeira. A chuva lava almas. A chuva lava corações. A chuva lava almas e corações.

Para quem anda meio tristonho, sem motivos aparentes para sorrir, a chuva leva o sol. A chuva lava ainda mais a vontade de viver. Passam dias, passam horas e a chuva permanece, enlouquece, chegando talvez a transformar o viver.

Para os que amam, amam a tudo e a todos. Amam a vida por si só, a chuva age como sinônimo de limpeza, de compaixão. Chuva que limpa ruas, limpa o ar. Chuva que lava almas e corações. Mas, como tudo em exagero, a chuva também faz estragos. Leva almas. Leva corações. E para os que amam, a chuva acaba por se transformar em motivo de dor e novamente, compaixão.

E a chuva permanece. Lavando almas e corações. Acordar em um dia chuvoso, olhar pela janela e não avistar ninguém. Abrir o guarda-chuva, caminhar pela cidade e enxergar em cada gota d’água um motivo a mais para viver.

A chuva traz a reflexão. O silêncio vem à tona, a lágrima cai como a gota que escorre – lentamente – pela janela daquele ônibus. E então a inspiração. Inspiração para sorrir, inspiração para seguir, inspiração para viver. Afinal, se até nas piores tempestades a natureza não deixa de manifestar suas belezas, por que nós, meros mortais, haveríamos de desistir em simples dias de garoa? A chuva vem. Vem, leva e lava. Lava almas e corações. E que ela lave o seu também.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rugas, muitas rugas

Pablo: Ei você!

Roberto: ...

Pablo: Você mesmo! Já esqueceu de mim?

Roberto: De você não, mas de seu rosto.

Pablo: Meu rosto? Mas o que há de novo por aqui?

Roberto: Rugas, muitas rugas.

Pablo: E o que tem contra? Isso é sinônimo de experiência.

Roberto: Experiência não sei de quê. Você continua o mesmo meninote, com as mesmas manias e...

Pablo: E... o que?

Roberto: Nada!

Pablo: Fala!

Roberto: E as mesmas mulheres.

Pablo: Hã?

Roberto: Mulheres não, né? Meninas. Você não tem vergonha?

Pablo: Vergonha deveria ter você.

Roberto: De que?

Pablo: De ter me dispensado.

Roberto: Dispensei mesmo.

Pablo: E agora fala isso por puro despeito.

Roberto: Despeito de que? Por que?

Pablo: ...

Roberto: Me poupe, né?

Pablo: Poupar? Você nunca me poupou. Por que agora eu iria poupá-lo?

Roberto: Ai como você me cansa.

Pablo: Agora é assim. Mas não mude de assunto. Fale a verdade.

Roberto: Que verdade?

Pablo: Sobre as rugas.

Roberto: Que rugas?

Pablo: As minhas.

Roberto: O que tem? São suas, oras. O problema é seu. Veja como minha pele continua...

Pablo: Não venha jogar na minha cara mais uma vez que é mais jovem que eu.

Roberto: Até porque, você sempre soube disso.

Pablo: Eu e meus familiares...

Roberto: É, você e aquela sua familizinha que preferiu você no meio de tantas pré-adolescentes indefesas do que...

Pablo: Pare! Não complete a frase.

Roberto: Por que? Ainda não tem coragem de assumir?

Pablo: Não...

Roberto: Você é um covarde mesmo. Tanto glamor em vão.

Pablo: Em vão foi o que senti por você.

Roberto: E por acaso você sentiu algo?

Pablo: Claro que senti Roberto.

Roberto: Eu sempre duvidei.

Pablo: E eu sempre desconfiei que você não acreditava em meu amor.

Roberto: Que amor é esse que se deixa levar por qualquer fama?

Pablo: Você jurou entender...

Roberto: Jurei enquanto pensei que você fosse seguir fiel.

Pablo: Mas não deu.

Roberto: É, eu notei. Nunca mais me ligou. Nunca mais apareceu...

Pablo: Mas eu queria, eu juro!

Roberto: Não jure em vão!

Pablo: Não quer que eu faça como você?

Roberto: Não... só não quero que você repita esse gesto mais uma vez. Já engana tanta gente por aí. Outro dia, uma jornalista me procurou...

Pablo: Você não disse nada, disse?

Roberto: Não... mas minha vontade era dizer. Gritar ao quatro ventos que você não é o garanhão que todos acreditam ser.

Pablo: Se você fizesse isso...

Roberto: Se eu fizesse isso o quê? Usaria seu dinheiro? Daria sumiço em mim?

Pablo: Não é disso que estou falando.

Roberto: Do que diz então?

Pablo: Queria mesmo era dizer que se você fizesse isso, eu vou seria o cara mais feliz do mundo, pois só assim eu conseguiria abrir meu coração para todos.

Roberto: Teria coragem?

Pablo: Teria....

Roberto: Mas eu não.

Pablo: Por que?

Roberto: Olha para sua cara!

Pablo: O que tem?

Roberto: Rugas, muitas rugas...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais do que todos os dias

Mais do que todos os dias, esta semana foi ainda mais doloroso viver sem vocês. Doeu. Doeu no sentido literal da palavra. Doeu do lado esquerdo do corpo. À frente e atrás. Doeu como eu nunca havia sentido. O primeiro ato: telefonar e instantes depois perceber que não seria possível ter o aconchego e a proteção de vocês. O namorado socorreu. Correu. Correu comigo para o hospital. Um dia inteirinho por lá. Seringas, remédios, sangue e sangue novamente. Exames. Internação. Transferência de hospital. Mais sangue, urina, raio x. Lágrimas e dores. Muitas dores. Diagnóstico. Bactérias. Congestionamento. E caiu a noite. Voltou o dia. E continuou a dor. Mais hospital, mais médico, mais remédio. Carinho de sogra, carinho de namorado. Preocupação de vocês. O telefone tocando a todo momento. E mais uma vez. O coração apertado, eu sei. E as dores por aqui. E a dor por aí. E mais uma vez. Remédios. E mais remédios. Mais lágrimas. Mais dor. Menos trabalho. Repouso. Mais repouso. Menos dor. Talvez. E a falta. Falta da presença, do cuidado. Do físico. Falta do cuidado de pai. Falta do cuidado de mãe. E a carência aparece. Permanece. E a falta aqui. Mais do que todos os dias. Mais do que todos os dias volto a me sentir criança, indefesa e percebo como é difícil viver sem vocês.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O mundo lá fora


Aquele papo de que isso ou aquilo só acontece comigo já não procede 100% na vida atual. O ser humano tem por característica acreditar que seus problemas são os maiores, mas esquece-se de que “o mundo lá fora” talvez esteja passando por situação pior.

Quando falo de problemas, refiro-me à dívida que se acumulou, ao emprego que não saiu, ao namoro que chegou ao fim, ao ente querido que se perdeu, ao negócio que não vai bem, à amizade que não era tão verdadeira, à incompatibilidade de interesses e dedicação em uma sociedade e [encaixe aqui o seu problema].

Tudo isso faz parte da vida que escolhemos viver aqui. (In)felizmente até os piores problemas fazem parte do que nos propomos passar para evoluir. Nos vemos diante de perdas, diante de sonhos que aparentam ter chegado ao fim. É então que uma dor, um desespero, uma dúvida e até o medo tomam conta da gente. Não estamos, mas deveríamos estar, acostumados a perder. E quando isso acontece ou está prestes a acontecer, um líquido chamado lágrima toma conta de nossos olhos e torna-se inevitável disfarçar o sofrimento perante aos demais.

E toda essa turbulência não acontece somente dentro de você. Amigos, parentes, conhecidos, vizinhos e artistas também passam por conflitos que nem podemos (ou não queremos – por puro egoísmo) imaginar.
E quando conhecemos a “dor” do outro, talvez um sentimento de compaixão tome conta de nosso ser. Queremos a solução, pedimos por uma reconciliação e até chegamos a nos intrometer. Mas isto não é preciso! Já dizia minha avó: se conselho fosse bom, não era dado, e sim vendido! Mas o ser humano é assim: custa a perceber o mundo lá fora e quando percebe quer ser o senhor das soluções. Bonito na teoria, precipitado na prática.

PS: Qualquer semelhança com acontecimentos reais e atuais NÃO é mera coincidência.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que me resta é falar de amor

Os dias passam, as horas voam, o tempo muda, mas o sentimento permanece. Parece clichê falar de amor, mas amor nunca é demais quando, de fato, é verdadeiro, inigualável, insubstituível e incondicional. E este assim o é.

Quem convive comigo sabe o quanto me orgulho de minha família e o quanto sou feliz por ter sido escolhida para fazer parte dela. E ela é tão especial que está em minha vida duas vezes. [Aos desavisados informo que sou filha de primos de primeiro grau]. Faço parte de uma família em que todos os primos, tios, avós e agregados - de ambos os lados - se conhecem. Faço parte de uma família em que os problemas se misturam e as soluções ainda mais.

Ainda quando eu era pequena lá em Barbacena, já não sabia medir o tamanho do sentimento tomava conta de mim. De mim e de todos nós. Porque a recíproca é verdadeira. Somos unidos em uma gama de sentimentos só. Se a onda da vez é ser feliz, somos felizes juntos. Se tem problema, nos ajudamos e vencemos unidos. E se tem festa, estamos todos lá [com o copinho de cerveja na mão, diga-se de passagem].

E todo esse amor, essa cumplicidade e felicidade já existem há algum tempo. Mas que eu me lembre, a compartilho há cerca de 23 anos somente. Mas por esse plano aqui, já passou muito Bianchetti que eu gostaria de ter conhecido, viu? Já passou muita gente, inclusive, que eu gostaria de relembrar com mais facilidade... mas a vida é assim. Já disse o poeta que “Os bons morrem jovens”....

Uma de minhas primeiras lembranças se refere ao meu avô parterno. O Vô Gilberto. Quando ele nos deixou, eu tinha cerca de 5 anos. Por isso tenho poucas e lindas lembranças dele. Lembro do seu caminhão, dos doces que ele me dava quando me levava ao butiquim, da maneira como ele me pegava no colo, do seu sorriso vazio [é que faltavam alguns dentes ali] e me lembro também do dia da sua morte. Lembro muito do meu pai chorando e a minha tia Carminha inconsolada... queria muito poder tê-lo ainda aqui.

Falo disso porque no último Dia dos Pais, houve uma comemoração diferente. Reunimos todos na casa da vovó [do lado materno] para homenagear nossos pais e o nosso grande Vô Carlinho - que é irmão do Vô Gilberto. Pois, se perdi meu avô paterno cedo e guardo somente lembranças, o grande pai do lado materno se encontra firme e forte [nem tanto, vai]. E segue conosco no auge dos seus quase 90 anos. Dele tenho lembranças vivas, literalmente! Lembro-me de suas broncas, de suas preferências, de suas risadas, do seu gosto de futebol, da televisão no volume mais alto e dos ‘rabo de galo’ de todo domingo. [Rabo de galo é uma bebida doida: cerveja, vinho e Coca-Cola. Uma diliça!!!]. Lembro-me e as compartilho com mais 24 netos e quatro bisnetos.

É muita emoção e diversão para uma família só. Ainda bem que ela vale por duas!!!

E olha que isso é só a parte em que falo dos avôs, em virtude da data em que comemoramos o tão comercial Dia dos Pais, imagine quando eu começar a contar por aqui as Fantásticas Histórias da Família Bianchetti. E não é? Surge aí mais uma ideia de textos para o Fazendo Arte.



segunda-feira, 20 de julho de 2009

Soneto da falsa amizade


Amizade, sentimento tão bonito e essencial quando verdadeiro. Amizade, sentimento perigoso e prejudicial quando desleal. Amizade por interesse, por conveniência, acaso ou o que for, simplesmente não é amizade, não é amor. Porque amizade verdadeira, amizade que preze, não se deixa questionar. Amizade falsa, dolorida e oscilante sofre qualquer abalo e jamais recupera a estrutura – até porque, nunca a teve. Amizade leal e gostosa é aquela que todos sabemos, que todos sentimos. A falsa amizade também. Infelizmente. Quem nunca provocou, já foi provocado e vice-versa. Quem nunca sofreu por amizade, já fez sofrer algum ‘amigo’. Aposto! Pois a falsa amizade é assim: nasce como a verdadeira, é mantida como a leal, traz sorrisos como a saudável e termina com lágrimas, dor e sentimento de culpa. Culpa do eu, do sofrido, do crédulo e do inocente. Culpa de quem acreditou, sentiu, apostou, viveu e viu morrer um sentimento que nutria sozinho. E não adianta buscar motivos, pedir respostas e julgar ao próximo. Melhor deixar passar, relevar e acreditar que a vida – lá na frente – fará o melhor. De si e para si. Pois a vida e o tempo, esses sim revelam as falsas amizades e fazem manter os verdadeiros sentimentos. Sentimentos de amizade e amor que jamais terão fim.

domingo, 12 de julho de 2009

Crescer dói

As responsabilidades aumentam, o tempo escasso diminui, a saudade aperta muito mais o peito e os problemas aparentam ser bem maiores. Crescer é assim. Nos tornamos teoricamente independentes, passamos a pagar as contas com nosso próprio trabalho, fazemos nossos horários, cuidamos das coisas da casa e muito mais.

Levar o lixo para fora, não deixar as contas atrasarem, cuidar da própria alimentação, não deixar que os gastos excedam o salário no fim do mês e não tomar banhos demorados são alguns detalhes que antes pareciam simples e distantes e agora se mostram reais e evidentes.

Porém, mais do que comprovar o avanço do tempo e cravar rugas em nosso rosto, o crescimento traz consigo as dores da vida adulta. Dores das preocupações, dos receios, e quem sabe, do medo de não dar conta. Chega um momento em acompanhar gastos, organizar horários e cuidar da alimentação tornam-se apenas detalhes se comparados às preocupações, que nem sempre, apresentam-se de forma clara.

E quando falo de problemas, não quero dizer que não dei conta do recado e de minhas obrigações. Refiro-me as preocupações antes nem pensadas. Preocupações surreais. Se antes era cômodo ter como obrigações somente o estudo e a obediência aos pais, agora o que faz mais sentido ao coração é a falta não só carinhosa e sentimental da convivência diária, como o companheirismo, o cuidado e o zelo nos momentos de angústias.

A vontade de correr para o colo, pedir proteção, encostar a cabecinha no ombro e deixar o pranto rolar aumenta à medida em que se percebe não ser possível, nem ao menos, uma palavra de conforto ao telefone. Então você pensa: “É, cresci e preciso aprender a me virar...”. A gente tenta, resolve da forma mais correta, mantém a razão, mas segue com o medo de errar. “Errar é preciso”, eu sei, mas mais preciso é dizer que crescer dói, e como dói.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O sonho não acabou

Ainda me recordo do primeiro dia de aula na faculdade. Fevereiro de 2005 e lá ia eu para um mundo diferente de tudo o que eu já havia vivido em termos educacionais – afinal, para quem estudou em regime militar, qualquer mudança no sistema gera conflitos. Mas ao mesmo tempo, seguia satisfeita e feliz. Lá estava rumo ao sonho de me tornar uma jornalista.

Ao longo do curso realizações, tropeços, conquistas e decepções. A descoberta, literalmente, de um mundo novo. No início algumas coisas repetidas como história, português, sociologia e filosofia (é que em Colégio Militar se aprende estas disciplinas também!). Depois a prática: fotografia, jornal impresso, rádio, TV, revista, site... um leque de opções conspirando a meu favor.

O primeiro estágio. As primeiras descobertas. Tudo isso contribuiu para que a formação se desse da mais perfeita ordem. Passagens por pesquisas, turismo, sindicato e turismo novamente. Experiência com material institucional, revista, jornal, informativo e assessoria de imprensa. A paixão se fez aguçar e fixou-se no turismo – mas não se limitou a isto somente.

12 de dezembro de 2008, a banca. Lá estava Mara Bianchetti defendendo sua monografia, falando sobre ética na cobertura do turismo. Sala lotada, pessoas queridas, um pouco de mau-agouro e dois professores a me avaliar. Lágrimas na leitura da conclusão e uma sabatina incrível de um dos integrantes da banca. Venci.

Em março de 2009 o sonho, enfim. Família reunida, beca impecável e a hora do canudo. Mais um momento ímpar, para fechar com chave de ouro a faculdade dos meus sonhos e o sonho do jornalismo. Agradecimentos a Deus e uma comemoraçãozinha bááásica com os amigos também não faltaram, enfim.

Depois disso vieram os empregos, os novos projetos, algumas pequenas (e outras nem tanto) decepções. O novo laço com o Turismo de Minas, a criação do Panorama Magazine Caiçara e o contato com Jhonny & Alisson. Isso foi surgindo, me completando e fazendo de mim uma jornalista feliz.

Eis que em 17 de junho de 2009, após 13 dias do meu aniversário, no exato dia em que comemoro 2 anos e 2 meses de namoro, a belíssima notícia de que ‘Diploma de jornalismo não é necessário mais para que se exerça a profissão’ neste país chamado Brasil. Surgiu então um misto de desconfiança, desmotivação e quantos mais ‘des’ você quiser imaginar. Mas não, o sonho não acabou. Afinal, se é assim que os Gilmares Mendes querem, eu respondo: mais do que jornalista por formação, sou jornalista por convicção. E tenho dito!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sentimento superfical


Ao ler uma um antigo e-mail, recordei-me de quando recebi aquela mensagem. Não tínhamos (e nem temos) tanto contato, você mal sabe quem eu sou, e muito menos tem obrigação de me agradar. No conteúdo daquela mensagem desabafos, elogios, críticas e sinceridade. Tudo acerca de um sentimento superficial.


Agora me pego aqui, refletindo e concluindo o quanto a vida é sábia e nos apresenta circunstâncias em que conhecemos verdadeiramente as pessoas. É quando menos esperamos que descobrimos quando se trata de um sentimento superficial e quando a admiração, o carinho, o companheirismo, o olhar e o ombro amigo são verdadeiros.


É quando mais precisamos que alguém vira as costas; é quando esperamos por aquele sorriso e por um abraço apertado que outro alguém diz não ter tempo de nos ajudar. É quando queremos sinceridade que o outro se aproveita da situação e monta em nosso sucesso. É quando achamos que quando lá vem mais uma decepção, aquela pessoa (justo ela) demonstra maior compaixão e paixão por nós. É sentimento. É sentimento superficial.


Lembro-me da circunstância em que me enviou o tal e-mail. Eu me senti o máximo, fiquei orgulhosa de mim. Por um momento, um sentimento superficial tomou conta do meu ser. Mas logo em seguida, você, mesmo sem saber, também me puxou a orelha e disse: “não se sinta lisonjeada”. O que eu senti naquele momento transformou-se então em uma gama de sentimentos que nem eu sei explicar. Mas garanto: superficiais não eram.


E de sentimentos são feitas nossas vidas, são feitas nossas existências. Sentimentos de pai para filho, de irmão para irmã, de filha para mãe, de namorado para namorada, de fã para ídolo, de amigo para amigo e muito mais. E nesse meio há o sentimento superficial. Sentimento de pai para filho, de irmão para irmã, de filha para mãe, de namorado para namorada, de fã para ídolo, de amigo para amigo e muito mais. Repito: superficial.


E se toda aquela turbulência passou, digo e reafirmo: é porque é tudo muito superficial. Se especialistas, estudiosos, médicos e afins preocupam-se com o relacionamento on line que se transforma, cada vez mais, em algo superficial, peço licença para dizer-lhes que não é o meio de propagação que torna o sentimento, a comunicação, o relacionamento e o carinho superficiais.

Um sentimento superficial se torna superficial porque em sua essência já se fazia superficial.