domingo, 12 de julho de 2009

Crescer dói

As responsabilidades aumentam, o tempo escasso diminui, a saudade aperta muito mais o peito e os problemas aparentam ser bem maiores. Crescer é assim. Nos tornamos teoricamente independentes, passamos a pagar as contas com nosso próprio trabalho, fazemos nossos horários, cuidamos das coisas da casa e muito mais.

Levar o lixo para fora, não deixar as contas atrasarem, cuidar da própria alimentação, não deixar que os gastos excedam o salário no fim do mês e não tomar banhos demorados são alguns detalhes que antes pareciam simples e distantes e agora se mostram reais e evidentes.

Porém, mais do que comprovar o avanço do tempo e cravar rugas em nosso rosto, o crescimento traz consigo as dores da vida adulta. Dores das preocupações, dos receios, e quem sabe, do medo de não dar conta. Chega um momento em acompanhar gastos, organizar horários e cuidar da alimentação tornam-se apenas detalhes se comparados às preocupações, que nem sempre, apresentam-se de forma clara.

E quando falo de problemas, não quero dizer que não dei conta do recado e de minhas obrigações. Refiro-me as preocupações antes nem pensadas. Preocupações surreais. Se antes era cômodo ter como obrigações somente o estudo e a obediência aos pais, agora o que faz mais sentido ao coração é a falta não só carinhosa e sentimental da convivência diária, como o companheirismo, o cuidado e o zelo nos momentos de angústias.

A vontade de correr para o colo, pedir proteção, encostar a cabecinha no ombro e deixar o pranto rolar aumenta à medida em que se percebe não ser possível, nem ao menos, uma palavra de conforto ao telefone. Então você pensa: “É, cresci e preciso aprender a me virar...”. A gente tenta, resolve da forma mais correta, mantém a razão, mas segue com o medo de errar. “Errar é preciso”, eu sei, mas mais preciso é dizer que crescer dói, e como dói.

3 comentários:

- Felipe Linhares - disse...

Caraca, ai! Concordo com tudo que você disse. E, coincidentemente, há uns dois anos, mais ou menos, eu escrevi um texto muito parecido com esse.
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Acho que essa opinião, então, é unanimidade pra todo mundo que cresce, né?! Porque eu me achava um ET por sentir essa dor e por reclamar dela, já que ninguém mais se pronunciava sobre isso.
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Bom texto. Beijo.
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P.S.¹: Na ocasião, eu dei o título de "Virar adulto dói" pro meu texto.

Emerson Pancieri disse...

Realmente dói mto, né?! Principalmente para você que sempre teve eles dando apoio e força em todos os momentos da sua vida.
Minha mãe não gosta que eu fale, mas quando ficava em casa sozinho quando tinha uns 12 anos morria de medo.
É, mas crescemos e a vida nos espera com mtas responsabilidades, e cada dia aprendemos com as situações. Detalhe, não podemos ficar abatidos.
É isso!!Parece clichê, só que tudo é crescimento!
Vc tá em casa, tá? :-P
Bjão!!!

Sueli disse...

Esse seu texto me faz sentir culpada de não estar ao seu lado, de não participar dessa nova etapa de sua vida.
Se crescer dói, dói muito mais ver os filhos crescerem e ter que ficar distante deles.
Mas a recompensa é ver que tudo que foi ensinado foi aprendido, é ver que valeu à pena ser exigente na educação.
O que me deixa feliz é saber que vc está se dando muito bem sozinha e que está sendo uma adulta feliz, realizda profissionalmente e tudo com muita honestidade.
Te amo e sempre vou te amar.
Bjus saudades!!